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Qual foi a última vez que você viu seu pão mofar?

Hoje pela manhã, ao abrir a embalagem de um pão que comprei há quatro dias, me deparei com pequenos pontinhos de mofo. Confesso que, no primeiro momento, veio aquele sentimento habitual: a chateação de ter que jogar o alimento fora. Mas logo em seguida, um pensamento curioso tomou conta da minha mente: talvez eu devesse ficar feliz por isso.


Sim, feliz. Afinal, o mofo é uma evidência de que o pão que eu comprei está sujeito às leis naturais da decomposição. Ele não é um produto que desafia o tempo através de conservantes e aditivos que prolongam sua validade por semanas ou até meses. E isso me levou a uma reflexão mais profunda: quando foi que normalizamos que alimentos durem tanto tempo sem se alterarem?


A duração "anormal" dos alimentos ultraprocessados

A industrialização dos alimentos trouxe uma série de comodidades para a nossa rotina, mas também mudou a nossa relação com o que comemos. Produtos ultraprocessados como pães, bolos, biscoitos e embutidos são formulados para resistir ao tempo, com a adição de conservantes, estabilizantes, antioxidantes artificiais e outros ingredientes que, muitas vezes, sequer reconhecemos nos rótulos.

A questão é que essa "longevidade" tem um preço. Além de perdermos a conexão com o que é natural, estamos expondo nosso organismo a substâncias que podem ter impactos negativos na saúde a longo prazo. Estudos mostram que uma dieta rica em ultraprocessados está associada a riscos maiores de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.


Por que o mofo é "normal"?

O mofo é uma consequência natural do processo de decomposição, algo que deveria acontecer com qualquer alimento minimamente processado. Em um mundo onde alimentos frescos e naturais são parte central da dieta, ver um pão mofar após alguns dias é simplesmente o curso natural das coisas. E isso é bom! Significa que estamos consumindo algo mais próximo do seu estado original, sem depender de substâncias químicas para mascarar o passar do tempo.

Claro, você não precisa deixar seu pão mofar. Pode consumi-lo no dia em que o comprou ou nos dias seguintes. Mas quis trazer aqui essa reflexão que surgiu de um momento infeliz, quando precisei jogar comida fora.


Reaprendendo a valorizar o natural

Ao refletir sobre esse pão mofado, percebo que talvez devêssemos nos reconectar com o ritmo natural dos alimentos. Isso significa optar por produtos menos processados, preparados com ingredientes simples e sem a adição de uma lista interminável de aditivos.

Claro, isso nem sempre é fácil. A produção artesanal ou caseira pode exigir mais tempo e planejamento, mas os benefícios vão muito além da saúde: nos reconectamos com o que estamos comendo, com quem está produzindo e com a natureza ao nosso redor.


Um convite à reflexão

Quando foi a última vez que você viu um pão mofar? Talvez seja hora de enxergar esse "evento" como um lembrete de que nem tudo precisa durar para sempre. E, quem sabe, começar a olhar para esses pequenos sinais de impermanência como um passo rumo a uma alimentação mais natural, consciente e saudável.

Fica o convite para refletirmos juntos: como podemos retomar o controle sobre o que colocamos à mesa? E, mais importante, como podemos valorizar o que é realmente normal em um mundo que insiste em prolongar o artificial?


✍🏼Milena Hernandes - Nutricionista

📌CRN-3 63747


 
 
 

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